segunda-feira, 29 de junho de 2015

Futuro do pretérito

Pobres pequenos ágrafos
Daqueles povos que mal conseguiam se comunicar
Daquela gente humilde que não aprendeu a pensar
Seus olhos refletem a esperança do nada
De que nada lhes aconteça, nada aconteça
Embriagados em suas festividades
Na sacralização do fútil
Da profanação das ideias
Pobres pequenos ágrafos
Que não escreveram sua história
Que se perderam na história
E assim foram jogados de um lado para o outro
[como massa de manobra
Massificados por ideias novas
Aquelas mesmas de alguns anos
Recauchutadas em recalques e ostentações
Pobres pequenos ágrafos
Que são o futuro da nação
Um futuro em que se espera o nada
Futilizados em suas profanações
Que  não escrevem suas ideias por não terem história
Que deixam tudo passar, essa vida passar
Sem fé, sem dor, sem sentimentos, sentidos
Sem história
A historia dos pobres pequenos ágrafos

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Exaltação ao semi-deus

No berço de beleza Vênus te deu à luz,
com exuberância e esplendor.
Cabelos dourados como ouro,
olhos como campos verdejantes
inspiram o mais alto delírio de prazer.
Tua boca doce escorre o sumo da luxúria.
Teu corpo esculpido com todo o prazer,
foste dotado de toda a malícia,
chamativo para o pecado.
Ter um romance contigo
seria como abraçar as nuvens
e me vestir do sol, seria como
beber do cálice da imortalidade,
como uma mera mortal ia
mas poderia me envolver contigo,
oh semi deus.
Tu estas para o céu como eu para a terra...

Obs: De uma amiga que teve um grande amor.

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

Idiotice

As pessoas idiotas são mais felizes
Porque não se preocupam com a opinião dos outros
Porque mesmo que algo de ruim aconteça
elas olham o que de bom ainda sobrou,
e se nada lhes houver de proveito,
riem de sua própria desgraça,
riem do acaso, riem se si mesmas.

As pessoas idiotas são mais pacientes,
elas têm consciência de que
nem tudo depende de sua própria vontade.
Elas sabem esperar que algo aconteça.

As pessoas idiotas são mais felizes
porque tentam fazer os outros felizes.
Elas acreditam que todos são especiais.

Quando estamos em um dia estressante
onde nada nos anima,
quando tudo não está como o planejado,
olhamos para estas pessoas sorridentes,
alegres, de bem com a vida.
E pensamos consigo mesmo: que idiotas.

As pessoas estão esquecendo quão bom é ser um idiota.
As pessoas estão esquecendo de ser feliz.

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Eva

O medo afastou meus olhos de ti
imaginava-te como uma floresta densa
um emaranhado de laços difíceis de escapar
Teus olhos penetrantes invadiram meus pensamentos
E aos poucos - como quem anda à beira de um precipício
com cuidado para não cair - fui entrando em sua vida
Descobrindo que estes laços não me causavam embaraços
E nos diálogos que tivemos, sentia que eram palavras
tão fortes, capazes de unir aurora e crepúsculo
Pouco a pouco meus olhos se abriram
vendo-te não como floresta densa e escura
mas como um imenso jardim com flores a perder de vista
Um daqueles lugares em que, de tão bom,
se deseja ficar até a eternidade
Eis que eu desejo, não em possuir-te - porque
tua intensidade é grande demais para apreender - 
mas apenas em estar perto de ti
Para alimentar-me em cada palavra que disseres,
apreciar tua companhia como quem aprecia um jardim,
em sua diversidade, em sua intensidade, em sua infinitude
Na eternidade dos momentos singelos

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

BURACO

Que esta mágoa não fira meus sentimentos
Eu, que de tanto sonhar com o futuro
Vivo a me debater sem forças, com as forcas do presente
A vida é, de fato, isso que eu vejo?
Onde estão a inocência, paciência e o amor?
Os meus sonhos não foram vendidos,
nem trocados, nem perdidos...
Os meus sonhos foram esquecidos,
antes mesmo que eu acreditasse neles
A indiferença é o pior dos sentimentos
E eu estou ficando indiferente aos meus sonhos
Sinto um aperto no peito
Sinto um vazio imenso
Não sinto nada...

domingo, 12 de maio de 2013

ATEÍSMO DA POESIA


Não pretendo ser como aquelas pessoas ‘pseudorevoltadas’ que fazem levantamentos bibliográficos de sumário e depois espalham nas redes sociais um fragmento – uma estilha – da verdade. Quero falar da incapacidade de reflexão percebida por mim em algumas redes sociais mais famosas. Creio que estamos perdendo a chance cardinal de abrir as nossas mentes e construir conhecimento.

Aparentemente a capacidade de leitura das pessoas tem diminuído muito. Posso falar com o exemplo que tenho de meus estudantes, aqueles da nova geração – x, y, z, quadradinho de oito, tchu tcha tcha, etc. – que estão deixando a poesia ficar obsoleta. Os textos para chamar atenção tem que conter poucos caracteres – minha queixa contra o twitter – ou imagens que já expliquem o sentido da postagem.

A poesia está agonizando, na música, na fala, na escrita, na forma como olhamos o mundo. O progressismo evolucionista está dominando nossas mentes. E para meu desespero, quase ninguém percebe que estamos felizes e satisfeitos em sermos arrebanhados. Não se ouve quase, alguém perguntar: o que você quis dizer com isso? Qual a tua intenção? Mas não poderia ser diferente? Não se acredita na poesia.

A poesia está na UTI, mas sente muito medo, de alguém que necessite de um leito para aumentar o lucro dos diversos setores da economia, venha desligar seus aparelhos, para ligar os aparelhos ideológicos, para desligar a luz, aquela fagulha de esperança em dias melhores, daquela voz alucinada a soar nos nossos ouvidos, baixinho, nos últimos suspiros: “vem, vamos embora, que esperar não é saber, quem sabe faz a hora, não espera acontecer...”.

sábado, 16 de março de 2013

O castigo de Deus - introdução

Nunca eu refleti tanto sobre as relações trabalhistas. Me questiono sobre o valor do trabalho humano. Ainda não me considero um marxista, mas admito que em muitas coisas Marx tinha - tem - razão.

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

27/12/12

O ano está acabando. O mundo não... Não sou espírita, mas acredito que todo fim é o começo de outra coisa. Penso que pode até acabar pra gente, mas existirá para o que restar. Esses dias eu percebi que o nosso anseio por descobrir a "VERDADE" afastou a mística do meio da sociedade. Acredito que as coisas não se resumem simplesmente em dizer se foi fato ou não, se é verdade ou mentira. Sinceramente, eu questiono a ideia de que a reta é a menor distância entre dois pontos. A parábola é a menor distância entre dois pontos. Nem sempre o caminho mais curto é o que chega mais rápido. Por isso ainda procuro explicar as coisas através dessa linguagem cada vez mais obsoleta. Falo verdades contanto histórias - e aqui não importa tanto a caracterização entre fatos ou não - e às vezes levo fama de mentiroso. Fico preocupado com o futuro da gente. Pelo simples fato de que estamos perdendo nossa sensibilidade - na verdade essa expressão se usa cada vez mais para designar utensílios eletrônicos como o touch - e estamos nos tornando tecnicistas, quase robôs. No aspecto dos costumes e da moral, desejei muito ser coisas que acredito serem muito difíceis ou até mesmo impossíveis de conseguir. Passei vários anos buscando me enquadrar num padrão estético imposto pela sociedade. Queria que alguém dissesse que eu era belo. Mas o máximo que conseguia era ser agradável. Diante dessa reflexão toda, penso que é melhor deixar de tentar ser aquilo que não sou e me especializar naquilo que consigo fazer bem. Se o que tenho de mais belo é ser agradável, que seja assim. Vou aguardar a virada do ano - se eu pensar como o mundo hoje, não passará de uma passagem de segundos no relógio - para renovar a esperança de dias melhores.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

17/12/12

A primavera Árabe não está tão florida assim. Nosso país hoje (17/12/12) tem como notícia principal a vitória de um time pequeno contra os "grandes" da Europa - mas a nossa educação anda longe de competir com a deles. Foi inaugurado também um estádio novo para a copa que se iniciará em 2014. O que achei mais interessante foi a presença de aproximadamente 40 mil pessoas - provavelmente pessoas que não terão condição de entrar naquele lugar nos dias de uso para o qual foi construído. O destino de alguns integrantes do esquema mensalão ficou nas mãos de um senhor que estava adoentado. Estamos no clima do fim de ano, mas esse ano de 2012 é especial, o mundo espera não somente pelo fim do ano, mas, também pelo fim do mundo. Se não estou ficando louco, será daqui a 4 dias. O que vou fazer daqui pra lá? Continuar fazendo o que faço todos os dias. Se o mundo não acabar vou ganhar por não ter desprendido forças em vão para fazer algo que nunca tinha feito. Se ele acabar, vou estar morto e não poderei mais me arrepender de nada que não fiz. Estou neste instante escutando o som de neo-pentecostais e refletindo também se vale à pena revestir uma bomba som seda.

sábado, 27 de outubro de 2012

Carapuça

Se a carapuça servir, use-a sempre
Vou mandar uma em tamanho único, universal
A liberdade tão sonhada de outrora
está sendo banalizada pelos desatinados de hoje
Nas batidas de um barulho díssono
não consigo ter uma noite de sono
Penso nessa celeuma sem motivo
Penso nos motores lançando potências no além
Essa energia poderia mover os moinhos de vento
Aqueles que lançam ideias mundo afora
As ideias que mudam o mundo
Esse mundo
Essas ideias